Um mandato genuinamente coletivo, com convergência das lutas da cidade, do campo e da floresta, na construção do Programa do Bem Viver.

Movidas pelo desejo de construir a verdadeira transformação social e romper o atual sistema político excludente e injusto com questões populares e feministas, cinco mulheres chamaram para si o desafio da mudança. Elas vão concorrer em regime de co-vereança para uma das vagas na câmara municipal de Florianópolis/SC, pelo Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL.

Cíntia, Joziléia, Lívia, Marina e Mayne possuem perfis diferentes e comple- mentares e juntas vão assumir as tarefas normais de um mandato, acredi- tando que a renovação virá da própria diversidade do grupo, que tem professora, estudante, liderança cultural, economista, bióloga, liderança indígena e gestora pública. É muita riqueza de representação que pode ser usada em benefício da comunidade.

É fato que o posicionamento feminista deve estar presente nos debates do dia a dia. Como é possível que leis municipais que afetam as mulheres direta e indiretamente sejam debatidas de maneira justa no legislativo se hoje só há UMA mulher entre as vinte e três vagas da Câmara Municipal? Isso, numa realidade em que as mulheres somam 52% da população da cidade, é re- presentação social? Não. Mas é exatamente o que acontece hoje, e o que a Coletiva Bem Viver quer mudar.

Além das tarefas, um estatuto interno reconhecido pela Casa Legislativa vai determinar as regras de funcionamento da mandata, como a participação popular e a divisão de um salário em cinco, o que não representa novos gastos. O modelo não é novo, em 2018 São Paulo e Pernambuco elegeram mandatos coletivos para pleitos estaduais. Agora, chegou a vez de Floripa contar com a potência de uma construção política que amplia o alcance da discussão e a representatividade popular nos projetos de lei debatidos no legislativo municipal.

Nesse sentido, algumas pautas coletivas já vem sendo trabalhadas pelo grupo como a viabilização de espaços para crianças cujas famílias preci- sem trabalhar em horário noturno; o combate à especulação imobiliária e a prevenção da construção de moradias em áreas de riscos; a valorização da educação patrimonial de origem afro-brasileira e indígena nas escolas e espaços públicos; o investimento em transporte coletivo gratuito, eletrificado e descarbonizado, com integração de modais e incentivo às ciclovias; a par- ticipação popular que garanta paridade governo-sociedade civil nos órgãos colegiados municipais; e a criação de territórios comunitários que funcionem no contraturno escolar para prática esportiva, educação am- biental, atividades culturais e cozinha comunitária.

Fortemente pautada no conceito da Sociedade do Bem Viver, nas lutas do campo, da cidade, da floresta e das águas a Coletiva Bem Viver quer levar para a Câmara um novo jeito de construir a cidade a partir da equidade de representação (raça, classe, sexualidade, credo, gênero e identidade de gênero e de capacidades), da participação popular e da gestão compro- metida com o bem comum, onde o povo manda e o governo obedece.

Cíntia Mendonça

mãe, gestora, defensora dos direitos humanos e da natureza, militante ecossocialista e feminista. Mestra em Administração Pública. Se dedica nas lutas da cidade pelo Fórum Intersetorial de Políticas Públicas de Florianópolis, nos Conselhos de Assistência Social e de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, conectando com as lutas do Campo e da floresta na construção das Comunidades Agroecológicas do Bem Viver e como conselheira do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado de Santa Catarina. Sonha e luta no seu cotidiano para construir uma sociedade livre de exploração, de todas as opressões e pelo fim da destruição do planeta.

Joziléia Daniza Kaingang

liderança indígena, professora, antropóloga, ativista ambiental. Lutas contra as desigualdades raciais e sociais, pela implementação efetiva das ações afirmativas e cotas nas universidade públicas. Atua na construção da educação escolar transdisciplinar, pautando o afeto na inclusão de todos no ensino fundamental, médio e superior. Tem compromisso com a causa indígena, suas pautas e movimento somando as lutas feministas, de combate ao racismo e pela democracia. Participa da rede global de Mulheres Indígenas trabalhando pela Cura da Terra. Engajada no movimento de mudança, pela sociedade justa e inclusiva na constante construção de uma sociedade do Bem Viver.

Lívia Guilardi

mãe, artesã, economista, agente cultural, atuante da defesa dos direitos humanos e da natureza, militante pelo bem viver, ecossocialista, anti-racismo e feminista econômicas. Se dedica à construção econômica solidária, em projetos de desenvolvimento territorial e local, com atuação em coletivos de fomento em arte e cultura. Atualmente é militante no Subverta em SC, colaborando na construção da Sociedade do Bem Viver, em ações que combatem a exploração, as diferentes formas de opressão e a destruição do planeta.

Marina Caixeta

estudante, professora, feminista e ecossocialista. Desde o início da jornada universitária é ativa no movimento estudantil. Sempre engajada nas lutas feministas, antirracistas e anti-LGBT-fóbicas, filiou-se ao PSOL movida pela necessidade de resistir ao retrocesso que estamos vivendo mais recentemente, encontrando no Subverta o espaço revolucionário de militância necessário para os enfrentamentos do nosso tempo.

Mayne Goes

estudante, vegana, feminista negra e ecossocialista. Iniciando sua militância no Subverta, onde encontrou um espaço revolucionário para lutar coletivamente contra todas as opressões e a destruição do planeta. Dedicada às lutas antirracistas, feministas e de libertação animal. Sonha com o dia em que todos nós vamos poder conviver na Sociedade do Bem Viver.